EDUCAÇÃO SEXUAL

Falar de sexo hoje em dia ainda provoca constrangimento em algumas pessoas, apesar do tema estar presente (e muito) no nosso dia-a-dia: é a televisão que erotiza, é a música do momento que tem um teor sexual. E na escola, não é diferente: o jovem do ensino médio, aquele que assiste a novela das 8 e que canta o “Nossa, nossa, assim você me mata” é o mesmo que é cheio de dúvidas em relação ao seu próprio corpo, é o mesmo que tem vergonha e ri quando o professor fala “pênis” ou “vagina”.

Fazendo um breve resgate da “História da Educação Sexual”, a França da segunda metade do século XVIII, segundo estudiosos, parece ser o local onde o tema começou a ser abordado. Contudo, a ES não tinha a finalidade de educar, e sim de “combater a masturbação”, com base em ideias de Rousseau, para quem a ignorância era a melhor forma de manter a pureza infantil. Foi na Suécia, em meados de 1770 que a Educação Sexual foi implementada com o objetivo real de educar.

Aqui no Brasil, os primeiros registros sobre a Educação Sexual na escola datam de 1920, ainda influenciadas por correntes médicas e higienistas da França, com os mesmos objetivos de “combater a masturbação”, as doenças venéreas, bem como o preparo da mulher para exercer o papel de esposa e mãe, visando sempre à "saúde pública" e à "moral sadia," procurando assegurar a saudável reprodução da espécie. Com o regime militar, que perdurou de 1964 a 1985, instalou-se um clima de moralismo, puritanismo, aumento da censura e medo, a discussão sobre o tema regrediu e o ensino foi proibido. Depois deste período “de chumbo”, houve uma abertura muito grande neste meio. Tabus foram quebrados, revistas explicitavam mulheres nuas e sólidas tradições conservadoras foram abaladas. Contíguo a isso contudo, veio a demanda por trabalhos na área da sexualidade nas escolas, em virtude do grande número de gravidez precoce, entre adolescentes e do aparecimento da  AIDS, entre os jovens.

Traços do passado ainda se fazem presentes no cotidiano escolar. Há ainda um grande despreparo de certos profissionais da educação, que, carentes de treinamentos e orientação na própria formação profissional, não se sentem à vontade para falar sobre o tema. O resultado é que o tema “Educação Sexual” ou, da forma como é reduzido e simplificado erroneamente, “Sistema Reprodutor” acaba sendo a última matéria do período letivo e apenas é abordada se “sobrar tempo”. Hoje, o Brasil não tem nenhuma lei que obrigue as escolas a inserirem a Educação Sexual em seus currículos. Porém, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) tratam a Educação Sexual como um “Tema Transversal”: sugerem que o assunto seja trabalhado em todas as disciplinas, sempre que uma oportunidade aparecer. "Orientação Sexual”, e não mais “Educação Sexual”, envolve sentimentos e desejos e, portanto, não pode ser abordada só com explicações sobre o funcionamento do aparelho reprodutor e aquelas fotos horríveis de gonorreias e herpes nas aulas de Ciências. 

O tema deve ser tratado na escola abordando a questão dos direitos sexuais, da equidade de gênero, alertando também para a importância da responsabilidade e da necessidade da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Deve haver debates sobre gravidez, aborto, a “Cura Gay”, a “Marcha das Vadias” e tantos outros assuntos que enchem as telas da televisão e a timeline do facebook. Para tanto, é necessário que gestores, profissionais da área da saúde e da Educação e toda comunidade escolar assumam esse compromisso de maneira pedagógica, livre de preconceitos e de maneira igualitária.

Mas, de que forma abordar o tema em sala de aula? A metodologia deve buscar partir do próprio professor, e não buscando “especialistas sobre o tema”, por exemplo. No Ensino Médio, muitas vezes o professor acaba sendo um confidente, uma “pessoa mais velha e experiente em quem o aluno pode confiar sem que conte para o pai e a mãe. O professor deve então aproveitar-se disso, optando por metodologias participativas, aulas temáticas, discussões de vídeo, oficinas, seminários, gincanas, teatro, atividades ligadas à cultura e à arte. É importante também que os professores de todas as disciplinas, principalmente aqueles que se sentem mais à vontade para trabalhar a temática, abordem questões sexuais nas salas de aula cotidianamente, e não só o professor de Ciências.

Aqui vão algumas sugestões de atividades para trabalhar a Educação Sexual.

http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/